Você chegou quando eu perdi minha vida, minha mãe se desvaeceu e restava apenas eu e meu pai, pobre homem, teve que se virar para dar-me uma vida boa. E ele conseguiu. Devo muito a ele, e pagarei minha vida toda. Seu papel nessa historia foi muito importante, você sabe. Menina de 15 anos perde a mãe, perde os sentidos, perde a esperança. Você me ajudou a trazer tudo de volta, podemos afirmar que você me trouxe de volta a vida. Você, sempre você. Onde está Henrique? Por que sumistes dessa forma? Acha bonito me trazer de volta e partir?
Conhecendo-te do jeito que conheço, sei que achou que seria uma linda historia de tragédia, posso até imaginar a sinopse.
“Garota perde tudo — fé, esperança, sentidos e o mais importante, a mãe —. Garoto dá a ela tudo de volta, tirando de si mesmo, dando sua vida para ela.”
Imagino também como descreveria a morte súbita.
“Ela não aceitava, então ele resolveu dar um pouco de cada vez. Um dia dava fé — enfiando-a garganta abaixo — no outro, esperança e no outro dava-lhe os sentidos. Só que ninguém reparava que cada dia que ele dava o que comer a menina, ele se enfraquecia. Ela ganhava e ele perdia. Ela vivia e ele morria. Morreu. Fim.”
Triste não? O tipo de historia que você gostava.
Sonhei com você essa noite, sonhei que você estava deitado ao meu lado, com os dedos entrelaçados aos meus, mas, em um momento, você vira água. Escorre entre meus dedos, se desfaz em gotas. Some.

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